“Liberdade, Liberdade! Abre as asas sobre nós”, um dos melhores sambas do carnaval (campeã Imperatriz, 1989), são versos do hino (1890) à Proclamação da República. Ser livre também é estar no Grumari, um dos remanescentes virgens do antigo paraíso dos índios e primeiros portugueses.

Conhecido historicamente por ser um dos bairros menos populosos do Rio de Janeiro, o Grumari tem grande parte de sua área ocupada pela sua bela orla, com aproximadamente 2,5 km de extensão, e por uma área de proteção ambiental.
O Parque Natural Municipal de Grumari, de 805,92 hectares, representa um importante testemunho de flora e fauna das restingas fluminenses.
Assim como a vizinha Prainha, abriga variadas espécies, algumas em risco de extinção e de altos valores paisagístico, científico e econômico, sendo transformado em APA (Área de Proteção Ambiental).
Um dos principais objetivos é preservar os ecossistemas naturais, possibilitando a realização de pesquisas científicas, assim como atividades de educação, lazer e turismo ecológico.
Na língua indígena, grumari significa uma espécie de cássia, vegetação de terra firme que floresce entre os meses de janeiro e março nas serras que ladeiam este trecho da faixa litorânea ao sul do município.
A área tombada, além de incluir florestas da Pedra Branca próximas ao Oceano Atlântico, abrange o trecho de mar onde afloram as ilhas das Peças e das Palmas, as areias da praia e a vegetação de restinga. Entre os morros da região, por exemplo, destacam-se Boa Vista (456 metros de altitude), Faxina (410m), Serra de Piabas (347m) e Serra de Grumari (211m).
Na Mata Atlântica existem mais de 180 espécies de aves, muitas ameaçadas por desmatamento, caça e captura. Passarinhos como tico-tico, canário-da-terra, coleiro, sabiás, papagaios, tiê- sangue, sanhaço, curió, trinca-ferro e outras dezenas de espécies têm sua liberdade ameaçada por criadores que insistem em capturá-los, reduzindo suas chances de sobrevivência.
No passado, homens trazidos do continente africano eram comprados por fazendeiros e senhores de engenho, que os tratavam de forma cruel e desumana. Atualmente, o tráfico de animais silvestres é um dos maiores do planeta.
Aves em cativeiro apresentam doenças e deformidades por falta de espaço para voar e alimentação diferente da encontrada na natureza.
Em liberdade, ajudam a recuperar áreas degradadas, polinizando as flores e dispersando sementes. Alimentam-se também de insetos, impedindo que a proliferação descontrolada os transformem em pragas agrícolas.
Além dos pássaros, é comum ver pilotos de voo livre aproveitando o vento liso que vem do mar, colorindo o céu com parapente ou asa-delta.
Este esporte silencioso, que chegou ao Brasil em 1974 quando o francês Stephan Segonzac fez um voo do alto do Corcovado, é o que mais se aproxima de aves que plainam como o urubu, que é capaz de ficar um longo tempo voando sem ao menos bater uma asa.
O acesso à rampa natural do Morro do Grumari é feito apenas a pé, começando em uma pequena escadaria no canto direito da praia. Em seguida, é preciso encarar uma trilha íngreme e com obstáculos.
Neste percurso, é necessário o uso das mãos em alguns trechos que contam, inclusive, com uma pequena exposição a altura e vegetação alta. Todo cuidado é pouco, pois uma queda poderá ser fatal.
A caminhada até a biruta inflada na área de decolagem, cuja ASL (Above Sea Level) é de 120 metros de altitude, dura cerca de 25 minutos.
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