Cristo de Goiti, em Palmeira dos Índios: beleza de Alagoas não está só no litoral

Em religião, cada um tem a sua opinião: existem diferenças entre crenças de católicos, evangélicos, agnósticos, ateus, deístas, espíritas, espiritualistas, seguidores de tradicionais africanas, testemunhas de Jeová, budistas, santos dos Últimos Dias, messiânicos, judeus, esotéricos, muçulmanos…

Sem entrar na discussão sobre idolatria, adoração ou apego a esculturas, estátuas e imagens, após a inauguração do Cristo Redentor (Rio de Janeiro) em 1931, foram construídos mais de 200 nestes moldes pelo país. Na cidade alagoana de Palmeira dos Índios, o Cristo de Goiti, de cerca de 24 metros de altura, existe desde o ano de 1979.

Outros locais parecidos são procurados por turistas de todo mundo, como o de la Concordia (Bolívia), o de La Habana (Cuba), o de Copoya (México), o Christ of the Ozarks (EUA), o Cristo Rei (Angola), o de Los Andes (Fronteira Argentina-Chile), o del Otero (Espanha) e o Santuário Nacional de Cristo Rei (Portugal).

A subida até o Cristo de Goiti, considerado pela Prefeitura como um dos principais pontos turísticos do município, é também um passeio alternativo às piscinas naturais do belo litoral de Alagoas.

Ele localiza-se no topo da Serra do Goiti, a mais de 500m de altitude, cuja área era conhecida pela grande quantidade de goitizeiro ou oitizeiro (oiti é o fruto desta árvore-símbolo da Região Nordeste).

Palmeira dos Índios, a Princesa do Sertão, fica localizada estrategicamente, na fronteira Alagoas-Pernambuco, e possui um relevo ondulado.

As serras do Muro (460 metros de altitude), Candará (622 metros), da Palmeira (610 metros) e das Pias (620 metros) são acidentes geográficos da região, que conta com outros patrimônios ecológicos.

Também destacam-se rios (Coruripe e Panelas), riachos (Guedes e Ribeira), lagoas (do algodão, dos Caboclos, dos Porcos, Cascavel e Lagoinha) e açudes (Cafrunas e Xucuru). Toda a área municipal está situada em pleno agreste, onde o clima não é suficiente para permitir o surgimento de floresta. O predomínio é de espécies arbóreas e arbustivas da caatinga, com focos de mata.

O reino vegetal é rico em madeira e plantas medicinais. A flora, constituída por fruteiras, produz principalmente pinha, caju e manga.

Na fauna, são encontrados tatus, cotias, peixes nos açudes, guaxinins, preás, furão, periquito do mato, canários, gaviões e garças. A região é produtora de leite e conta com indústrias de laticínios, de transformação e da cana-de-açúcar.

O nome da cidade é devido ao palmeiral característico da vegetação na época dos primeiros habitantes (índios Kariris e Xucurus), entre os séculos XVII e XVIII. A origem de Palmeira dos Índios é ligada à lenda dos apaixonados Tilixi e Tixiliá, mortos após traírem o cacique Etafé com um beijo proibido. No local da morte, nasceu uma palmeira que simbolizava o amor do casal.

O município ainda conta com aldeias: Fazenda Canto, Mata da Cafurna de Cima, Mata da Cafurna de Baixo, Serra da Capela, Coité, Boqueirão, Morro do Amaro e Aldeia da Cafurna.

As atividades produtivas dos grupos indígenas são plantios de mandioca, milho, feijão, pinha banana e café, além do artesanato através de sementes, penas, instrumentos de madeira e manacás de coité.

De 1928 a 1930, a Prefeitura foi ocupada por Graciliano Ramos (1892—1953), autor de Vidas Secas (1938). Nascido na cidade alagoana de Quebrangulo, “Mestre Graça” incluiu fatos do cotidiano de Palmeira dos Índios em seu primeiro romance, Caetés (1933). A casa onde ele morou, de 1924 a 1930, foi tombada pelo IPHAN em 1965 e transformada em museu em 1973 para divulgar e conservar o acervo com suas obras.

Palmeira dos Índios presta homenagem com um busto gigante do escritor, na entrada da cidade, às margens da BR-316. Na base do concreto, está gravada uma das suas famosas frases: “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer“.


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