Dedo de Deus: monumento esculpido pela natureza em perfeitas falhas geológicas

A partir de uma inglesa que teria escalado o Pão de Açúcar em 1817, surgiram manifestações montanhísticas na Pedra do Sino (1841), Agulhas Negras (1865) e Marumbi (1879). A prática é considerada esportiva no país após a conquista do Dedo de Deus (1912), Therezopolis (grafia da época).

Trilha do Cartão-Postal, no tradicional Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso – terceiro parque mais antigo do país), leva o visitante a um dos mais belos pontos de observação deste espetacular monumento geológico.

Enquanto o pico do Dedo de Deus está localizado a 1.670 metros de altitude, o mirante da Trilha do Cartão-Postal encontra-se a 1.290 metros acima do nível do mar.

Ao se deparar com esta mão apontando o dedo indicador para o céu, a primeira constatação é: “Como a natureza é capaz de esculpir um contorno tão perfeito?”

Consequência de falhas geológicas e resistências ao desgaste do granito, o formato transformou o Dedo de Deus em patrimônio natural tombado pelo IPHAN. Do mirante, é possível observar parte da cadeia de montanhas da Serra dos Órgãos, como Escalavrado (1.410m), Dedo de Nossa Senhora (1.320m), Cabeça de Peixe (1.680m), Santo Antônio (1.900m), São João (2.030m), São Pedro (2.160m), Capucho do Frade (1.740m) e Nariz do Frade (1.980m).

A caminhada, de 1.200m de comprimento e 190m de desnível, começa na Estrada da Barragem. De nível fácil (experientes) ou médio (novatos), a trilha tem 1h30 de duração.

A região, compreendida num setor da Serra do Mar, foi classificada pelo Ministério do Meio Ambiente como de extrema relevância para a conservação da flora.

O Parnaso situa-se no domínio da Mata Atlântica que, por ser um dos biomas mais críticos para a conservação da biodiversidade global, foi declarada pela UNESCO Reserva da Biosfera, em 1991. Durante a trilha, que cruza área de floresta com belas vistas da montanha, é possível observar algumas grandes árvores, como o jequitibá, e outras baixas, de até 10 metros de altura.

Entre as mais de 2.800 espécies registradas no Parque, destacam-se 369 espécies de orquídeas e mais de 100 de bromélias, o que é característica da mata nebular.

No Parnaso, esta formação vegetal do bioma Mata Atlântica é observada, principalmente, nos vales que estão situados entre 1.800m de altitude e 2.000m, quando se encontra justamente com os campos de altitude.

A mata nebular tem esse nome por ser frequentemente coberta pela neblina, resultado de uma condensação das massas de ar úmidas provenientes do Oceano Atlântico.

Este clima instável em toda a área do Parnaso dificulta a orientação durante a caminhada.

É recomendável a contratação de condutor.

Várias espécies de aves têm na mata de neblina o seu habitat, entre elas a saudade-de-asa-cinza (tijuca condita), que é uma das brasileiras menos conhecidas pela ciência.

Ela só existe na Mata Atlântica do Estado do Rio, em regiões montanhosas de vegetação bem preservada, como a Serra dos Órgãos.

Em função de sua diminuta área de distribuição, a saudade-de-asa-cinza é uma espécie atualmente ameaçada de extinção.

A principal das três sedes do Parnaso, que protege 20.030 hectares nos municípios de Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim, é justamente a de Teresópolis, com boa estrutura para os visitantes.

A área conta com estacionamentos, banheiros, camping, áreas de piquenique e biblioteca sobre temas ambientais (com reserva), além de piscina natural.

Do alto da Serra dos Órgãos, surgem córregos, riachos e rios que atravessam todo o território do Parnaso.

Eles protegem mananciais, drenando para as duas principais bacias hidrográficas fluminenses: Paraíba do Sul e Baía de Guanabara.

Desta forma, além do cenário natural, o parque preserva os ecossistemas da região, e cumpre importante papel no abastecimento de água e na vida econômica.

Criado em 1939, o Parnaso é da primeira geração de parques que formaram o embrião verde-amarelo da preocupação com a degradação dos ambientes naturais.

O desrespeito às normas é crime ambiental e está sujeito a multa e até prisão. Ao visitar a Sede Teresópolis do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e outras áreas protegidas, observe alguns princípios de mínimo impacto e conduta consciente em ambientes naturais:

►Aprenda a diminuir a quantidade de lixo. Traga-o de volta e deposite-o nas lixeiras disponíveis;

►Cuide dos locais por onde passar, das trilhas e das áreas de acampamento.

►Não use atalhos, pois eles oferecem maiores riscos de acidentes e provocam erosão;

Não alimente os animais silvestres e observe-os à distância. Eles têm uma dieta diferente da nossa e não podem perder suas habilidades de se alimentar na natureza;

Não use sabão, óleo e similares, nem lave louça na piscina, rios e cachoeiras;

Não acampe fora das áreas permitidas, nem faça fogo, fogueira ou churrasco;

►Trafegue a no máximo 30km/h, não faça barulho, nem buzine ou ouça som alto: aproveite o silêncio e os sons da natureza;

►Deixe seu animal de estimação em casa: ele afugenta os animais silvestres;

Deixe cada coisa em seu lugar, como pedras e flores, onde você as encontrou, para que outros também possam apreciá-las;

►Certifique-se de que você possui o equipamento e os conhecimentos necessários para a atividade que pretende realizar;

►Você é responsável por sua segurança! Fique atento a riscos, como animais peçonhentos, pedras escorregadias, cabeças-d’água, choque térmico, câimbras e outros;

Não piche, escreva, risque ou danifique imóveis, placas, pedras ou árvores;

►Tire apenas fotografias, deixe apenas suas pegadas, mate apenas o tempo e leve apenas suas memórias.


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