Catacumba, livre da aglomeração urbana, hoje é um parque de esculturas ao ar livre

O primeiro registro de aglomeração urbana em um morro carioca encontra-se no recenseamento de 1920. O resultado menciona 839 casas levantadas no Morro da Providência, na Zona Portuária, por veteranos da Guerra de Canudos (Bahia, 1896/1897).

Na segunda metade do Século XX, uma das intervenções de maior impacto urbanístico na Lagoa Rodrigo de Freitas foi a abertura do Túnel Rebouças, na gestão de Carlos Lacerda e inaugurado em 1967, já na gestão de Negrão de Lima.

Com 2.800 metros de comprimento, em duas galerias paralelas, é a maior via de ligação entre as Zonas Norte e Sul da cidade.

No ano de 1966, a Região Administrativa da Lagoa contava com a segunda maior concentração demográfica no quesito aglomeração urbana (26), com 85.518 pessoas, distribuídas em 21.606 moradias, estas localizadas preferencialmente nos barracos de madeira em morros.

MORADORES REMOVIDOS NOS ANOS 60/70

O Corcovado à esquerda e o Sacopã ao centroEm toda cidade, entre 1968 e 1975, foram removidas mais de 150 mil pessoas de cerca de 100 aglomerações urbanas, a partir de um discutido programa idealizado por Carlos Lacerda.

Em 1950, os moradores destes locais eram 8,5% da população; em 1960, 16%; e em 1970, 32%. Cerca de 1 milhão deles moravam no Rio no fim dos anos 60.

PARA A VILA KENNEDY, CIDADE DE DEUS…

Entrada do parque, com o morro ao fundoUm dos casos mais famosos de remoção foi o da Catacumba, em 1970, na Lagoa. Os habitantes foram transferidos, principalmente, para os Conjuntos Habitacionais da Vila Kennedy, da Cidade de Deus e do Guaporé-Quitungo.

A partir de 1988, um programa de reflorestamento foi iniciado para regularizar a vazão dos rios e nascentes; controlar a erosão e a descarga de sedimentos; conter deslizamentos e recuperar matas degradadas; além de mobilizar e apoiar a sociedade em defesa das áreas de preservação.

32 ESCULTURAS AO AR LIVRE

Esculturas ao longo da trilhaO Parque da Catacumba, que oficialmente chama-se Parque Carlos Lacerda, é o único parque de esculturas ao ar livre existente na cidade do Rio de Janeiro.

Sua inauguração data de 1979 e desde então, através de instituições públicas ou privadas, recebe doações das peças que compõem seu acervo.

Ao todo, são 32 esculturas de conceituados artistas plásticos.

ESCRAVOS SE CONSIDERAVAM DONOS DA TERRA

Degraus feitos para ajudar na trilhaConta a lenda que, antes da chegada dos europeus, os índios enterravam seus mortos nessa encosta de morro.

Por isso, nessa época, teria sido dado o nome de Chácara da Catacumba à propriedade nela existente. A chácara pertencia a Baronesa da Lagoa Rodrigo de Freitas que, ao falecer, deixou-a para seus escravos que passaram a se considerar os donos da terra.

Em 1925, o Estado subdividiu-a em 32 lotes, que foram vendidos. Um longo processo jurídico começou então, quando os herdeiros da Baronesa pleitearam reintegração de posse.

MARANHENSES CHEGAM AO LOCAL EM 1942

Vista do mirante: Clube de Regatas do Flamengo, Dois Irmãos e Pedra da GáveaOs primeiros casebres apareceram na década de 30, mas o verdadeiro crescimento se deu em 1942 com a chegada de uma leva de migrantes vindos do Maranhão.

Gradativamente, a mata foi derrubada para dar lugar a casas e barracos. A aglomeração urbana, que parecia uma massa uniforme para um desatento, estava dividida em três partes: Passarinheiro, Maranhão e Café Globo.

Ficava no morro, à margem da Lagoa, a sede do Juventude Atlético Clube.

NÚMEROS

Placam informativas contam a história do local» 10 mil pessoas, aproximadamente, moravam no morro;

» 79% das 1.500 casas
eram de madeira;

» 105.000 metros quadrados
era a área total ocupada pela aglomeração urbana;

» 15 entradas davam acesso ao morro;

» 15 bicas públicas
existentes ao nível da rua garantiam a água dos moradores;

» 10
armazéns, 5 botequins, mais de 100 biroscas, 2 sapatarias, 2 lojas de roupas, 6 barbeiros, 1 salão de beleza, 1 banca de jornais, 1 farmácia, 1 venda de aves, 1 loja de móveis e várias oficinas faziam parte do comércio na Catacumba.

TRILHA DA CATACUMBA

Início da trilha, antes do piso de terra batidaO Parque Natural Municipal da Catacumba está aberto ao público de terça a domingo, das 8h às 17h. Para realizar a trilha, que leva ao mirante no alto do Morro do Sacopã, o horário é até as 16h. A caminhada atravessa uma floresta em regeneração que foi replantada após a remoção das moradias.

O passeio completo, ida e volta, tem duração máxima de uma hora e é realizado com grau leve de dificuldade. Não é recomendado para crianças desacompanhadas e pessoas fisicamente despreparadas.

Como o chão da trilha é de terra, é preciso subir e descer com calma e usando calçados adequados. No mirante, com cuidado, pode-se contemplar uma bela vista da Lagoa e arredores.

FAUNA REDUZIDA NO LOCAL

Flora durante a trilhaDevido à baixa diversidade florística e à falta de cursos d’água na área do Parque, a fauna está reduzida às espécies urbanas ou àquelas que costumam incursionar pela cidade vindas de áreas florestais mais típicas, como o Parque Nacional da Tijuca.

Entre os animais estão gambá, morcego, rato-do-mato e mico estrela de tufos brancos e pretos (mamíferos); rolinha, pardal, bem-te-vi, canário, sanhaço, sabiá-laranjeira, urubu, gavião, cambaxirra, cambacica, suiriri, anús e bico-de-lacre (aves); calango e lagartixa (répteis); e sapo-comum e perereca (anfíbios).

ETAPAS DA TRILHA

Praça do Bambuzal1 – Largo do Jamelão: a 150 metros do início da trilha. Tema das placas: a fauna e o Jamelão.

2 – Praça da Mangueira: a 200 metros do início da trilha (10 min. de caminhada). Tema: A Favela da Catacumba.

3 – Praça do Bambuzal: a 230 metros do início da trilha. Tema da placa: Bambus.

4 – Largo da Boa Vista: a 250 metros do início (15 min. de caminhada). Tema: Reflorestamento.

5 – Largo do Mirante: cisterna produtora de adubo. Tema: A Lagoa e sua História.

6 – Mirante do Sacopã
: está a 130 metros de altura e a 350 metros do início da trilha (20 minutos de caminhada).

COOPERE NO SENTIDO DE:

Sinalização durante a trilha» Obedecer a sinalização: ela foi feita para sua segurança e da floresta;

» Não alimentar animais
: muda seus hábitos alimentares, provocando doenças;

» Não fazer fogueira
(atenção com fósforos e cigarros), para evitar incêndios florestais;

» Não deixar marca em árvores/pedras
;

» Não pegar plantas
: danifica o ambiente;

» Não levar animais domésticos
, porque eles interferem no equilíbrio ambiental;

» Não ir com bicicleta
: terreno impróprio;

» Guardar seu lixo
: floresta não é lixeira!


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2 comentário para este post.

  1. PQP, eu conheço o Edmo….essa matéria está show de bola, my friend, parabéns, merecia capa do Viagem! abçs

    Responder

  2. Publicado por leila mendes em novembro 16, 2010 às 9:41 pm r r

    Adorei a matéria porém, gostaria de rever fotos de reportagem da década de 50 a 70 com a remoção do morro da catatumba. Segundo a minha mãe que foi moradora na época ela saiu numa capa de uma revista com uma criança no colo após um deslizamento.

    Responder

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